terça-feira, 30 de setembro de 2014

Versos Secos

Acordo e tenho a boca seca.
Com algum esforço, cuspo versos no papel.
Versos ásperos e com um doce estranho.
Escassos.
Versos secos como esses, desde que só
Engulo olhares que tu não me lanças mais.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Tenho Sede

Traga-me um milhão de anos, tenho sede!
Uma sede absurda que nem o Velho Chico sacia.
Sede Buarque, sede César, sede Science.
Uma sede infindável de literamúsica brasileira.

Bebo Drummond, Rachel, Leminski!
Quanto mais bebo, mais sede tenho.
Ainda que me afogasse nos versos dos anjos,
Sem um copo de Vinícius, eu nada seria.

domingo, 24 de agosto de 2014

Entardecer

             A hora mais triste? O entardecer. Não sei explicar direito os porquês, mas acho tem algo a ver com o amarelo queimado do céu e de alguns postes apressados. Talvez seja a sugestão de que aquela mistura magnífica de azul, laranja, rosa e cores indescritíveis do horizonte será rapidamente substituída pelas luzes artificiais, vazias e melancólicas da iluminação pública.

            Sim, deve ser isso. Essa sensação de impotência diante de algo estonteante, mas efêmero e com minutos — até segundos — contados. Como... como o teu sorriso! Isso. Teu sorriso é um entardecer. Desequilibra, desnorteia e se vai sem explicação, deixando meras lembranças que tentam imitá-lo. Um prenúncio de caos.

            Sabe aquela música de Alceu? Tesoura do Desejo fala sobre um velho sonho bom que, fatalmente, viraria pesadelo. É isso, o teu sorriso. É o entardecer. É o que, de tão sublime, se faz triste.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Samba

Ouvi o samba como quem sai de casa.
Como quem sai à rua pra pensar,
A buscar uma identidade pra si,
E não volta mais.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Esperar-te

Só o que me resta
É escrever que vou beijar-te,
Abraçar-te,
Amar-te;
E esperar que a vida
Imite a arte.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ceará

Vivo respirando uma saudade seca,
Daquelas que chega ardem na venta.

E o Ceará é aquela chuvinha boa
Que deixa a paisagem bem verde
E o tempo bom pra se balançar numa rede.

terça-feira, 24 de junho de 2014

É São João!

E não se vê nenhuma fogueira por perto.
É São João e não se ouvem fogos,
Não se ouve a batida da zabumba
Nem o choro da sanfona.

Aliás, acho que não há choro é de ninguém.
Nem choro nem ninguém.
Tá um frio e um silêncio lá fora
Que eu vou te contar...