segunda-feira, 14 de julho de 2014

Esperar-te

Só o que me resta
É escrever que vou beijar-te,
Abraçar-te,
Amar-te;
E esperar que a vida
Imite a arte.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ceará

Vivo respirando uma saudade seca,
Daquelas que chega ardem na venta.

E o Ceará é aquela chuvinha boa
Que deixa a paisagem bem verde
E o tempo bom pra se balançar numa rede.

terça-feira, 24 de junho de 2014

É São João!

E não se vê nenhuma fogueira por perto.
É São João e não se ouvem fogos,
Não se ouve a batida da zabumba
Nem o choro da sanfona.

Aliás, acho que não há choro é de ninguém.
Nem choro nem ninguém.
Tá um frio e um silêncio lá fora
Que eu vou te contar...

domingo, 8 de junho de 2014

Mudança

Ela achou aquela carta por acaso,
No meio de uma mudança.
Até pensou em reler, mas
Melhor não, deixa pra lá.

Tem quase certeza de que a jogou na mala
Pra reler algum dia, ou algo do tipo.
Ela perdeu a carta.
Por acaso ou pela sua velha mania
De não cuidar das coisas pelas quais se importa.

Perdeu a carta do mesmo jeito
Que o perdeu.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Eu de Você

Eu quero nossas bocas tão próximas
A ponto de ser impossível distinguir uma da outra,
Meus dentes dos teus, teus braços dos meus,
E o título do poema.

domingo, 4 de maio de 2014

Ode à Madrugada

Apreciemos o silêncio ensurdecedor dos vizinhos!
Da janela, posso contar nos dedos
Os apartamentos que ainda têm as luzes acesas.

A madrugada é uma dádiva!
A poesia dança de madrugada;
A música se equilibra nas cordas bambas do violão.
Não, nenhuma reclamação do morador do lado até agora.

Apreciemos as ideias e os amores que surgem de madrugada.
Felizes os que os aproveitam.
Ideias regadas a filmes europeus que ninguém conhece
Ou a café mesmo.
Amores frenéticos em baladas;
Amores embalados por love songs e pizzas da geladeira.

A madrugada é uma fábrica de sonhos.
Para os que dormem e para os que não acordam.

Balanço de Domingo

Neste domingo, não quero nada de mais.
Quero o clichê mesmo.

Conversas ao pé do ouvido num canapé,
Suco de tangerina embaixo de uma mangueira
E coisas assim.

Ah, e meu violão com saudade da tua voz, claro.

Que há de mais clichê que o amor?