quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Todas

És intertextualidade por inteiro.
Uma antologia de inspirações
Feita dos mais perfeitos trechos,
Todas elas juntas em Lenine.
Todas elas juntas em ti.

És originalidade por partes,
Ao passo que tens tudo teu.
Na mais perfeita ordem,
Na mais perfeita balbúrdia,
Na mais perfeita e cuidadosa fúria.
Na doce rede do toque dos teus dedos.
Um toque único num diálogo
De todas as musas.
Num monólogo de ti.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Maremotos


Devem ser esses teus olhos...
Machadianos, namoradores, firmes.
Sim, teus olhos é que causam
Ressaca, maresia e doçura.
Furam meu sono, invadem meus sonhos;
Dobram e quebram as ondas cerebrais.
Tento navegar nos teus cílios:
Um maremoto atrás do outro.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Qualquer Coisa

Eu não sei explicar tua boca.
Ela tem a tal qualquer coisa de dança
De que Vinícius falava.
E qualquer coisa de riso,
Qualquer coisa de poesia declamada.

É engraçado...
Sempre que você canta,
Me vem uma vontade enorme de te beijar.
O problema é que é quase impossível escolher
Entre o teu beijo e o teu canto.
Há aí qualquer coisa de dúvida.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Vinho Tinto


A poesia passeia pela tua boca
E vem descansar nesse papel avulso.
Traz aquele pedaço de Lua nova
E o gosto dos teus lábios de despedida.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Desejos em branco


Os sonhos já não são suficientes.
A minha pele, inquieta, pede o sal e o Sol.
Pede o teu toque e o teu tique.

O sono, ainda não dormido,
Pede para o tempo passar, urgentemente.
Pede para você passar pela minha frente.

Já eu, junto-me ao papel.
Em branco, peço apenas tua poesia.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Pressão Imaginária


Teus dentes mordem meu juízo
E tuas mãos me estrangulam de ansiedade.

Como é que você espera uma reação sensata
Sob o choque dos teus olhos elétricos?

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Desilusão


Até hoje tento entender
Esse riso besta que solto por você.

Já faz tempo, já jaz tanto tempo,
E eu ainda fico indignado.
Por que? Não sei.
Nem devia me surpreender, mais.

O amor é maior que essa desilusão, realmente,
E curte ouvir aquele samba, sabe?
Curte por curtir, mesmo. Nem presta atenção.

Ele é desatento...
Eu canto até cansar e canso até cantar,
Mas o samba entra por um ouvido
E sai pelo teu olhar.