terça-feira, 26 de novembro de 2013

Desilusão


Até hoje tento entender
Esse riso besta que solto por você.

Já faz tempo, já jaz tanto tempo,
E eu ainda fico indignado.
Por que? Não sei.
Nem devia me surpreender, mais.

O amor é maior que essa desilusão, realmente,
E curte ouvir aquele samba, sabe?
Curte por curtir, mesmo. Nem presta atenção.

Ele é desatento...
Eu canto até cansar e canso até cantar,
Mas o samba entra por um ouvido
E sai pelo teu olhar.

domingo, 10 de novembro de 2013

Preferência


Te vejo por aí,
Procurando raios, dirigindo fuscas,
Nas calçadas, corredores e cicatrizes;
Na guitarra do ferrão e da polícia, te ouço
Em todos os lugares.
Te sinto no pepperoni, na capoeira,
Nos Romeus e Julietas terrivelmente estreitos.

Nos sinais, te ouço, te vejo, te sinto
E paro pra você passar pela minha frente,
Enquanto acho que você só quer chegar ao outro lado.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Álbum


Ele olhava aquelas fotos.
Não importava se ela estivesse com outro nas imagens.
Estava mais linda do que nunca.

Parecia feliz,
Parecia distante,
Parecia sorrir.

Mas não se desfizera daquela única
Foto deles juntos.
E aqueles versos?

Parecia uma esperança...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Reflexão


Que rosto é meu?
Qual dos meus rostos é visto?

Você me mostra o que eu vejo,
Mas não o que os outros veem
E que eu não vejo.

A verdade é que você é interesseiro,
Manipulador e narcisista.
Quem é você pra me dizer como eu sou?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Convite

Se formos nos encontrar,
Que nos encontremos direito.

Vamos tomar umas cervejas,
Trocar umas ideias,
Trocar umas cervejas,
Tomar umas ideias.

Quem sabe pra nós, quem sabe pros outros...
Quem sabe?
Alguém sabe de alguma coisa a essa hora?

Já estamos trocando tomadas,
Idealizando cervejas.
Eu aqui, sentado à sua frente,
Idealizando algumas trocas de beijos
Com o gosto das suas ideias.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Apartados

Eu olho para os lados e vejo paredes,
Olho pelas janelas e vejo muros.
Ouço pelos cômodos,
Meus vizinhos parecem fazer um sarau.

Não conheço nenhum deles,
Nem eles conhecem nenhum de mim.

Tentamos nos juntar, sem querer, pela música.
Mas os apartamentos nos apartam,
Com suas fechaduras fechadas a duas voltas.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Entre um Cochilo e Outro

Imagine se aqui, agora, eu tocasse uma música pra você e, ao final da música, você se fosse, deixando apenas um elogio sincero à minha voz desafinada.

Todo mundo deveria ter fichas para momentos de devaneios virarem realidade. Em que, num bater de cílios, o toque dos nossos lábios e o gosto das nossas mãos deixariam de ser apenas impulsos nervosos no meu cérebro e passariam a ser impulsos nervosos no seu cérebro também.


Seriam como cápsulas de felicidade de rápida absorção e que não irritam o estômago.