quarta-feira, 19 de junho de 2013

Festa Junina

Naquele atípico dia de Santo Antônio,
O frio se fazia visível até em seu rosto.
Mas ela esquentava-se em sua fogueira
Imaginária. Em suas mãos imaginárias.

Dançava uma dança irreal, imaginando-a.
Lá fora, algo chamava sua atenção:
Olha pro céu, meu amor!
A Lua está sorrindo...
Acho que ela também andou ouvindo forró.

Gabriel Queiroz

domingo, 9 de junho de 2013

Tela


Sua tinta me parou e me fez sorrir.
Aquela tela me parou e me fez sentir
O mundo de uma forma bela e surreal,
Que na cabeça da menina só a faz sofrer,
Pensando que, na chuva, um choro assim
Não faz tão mal.

A pintura me chamou e me fez pensar
Que a chuva naquela tela não vai me molhar.
Mas, na cabeça da menina feita de papel,
Qualquer chuva que se preze vai a derreter.
Se desespera, pensando por que o amor
Não cai do céu.


Gabriel Queiroz

domingo, 2 de junho de 2013

Noite estrelada sobre a Cantareira

E, se a noite esfriar, nos aqueceremos.
Se olharmos para as estrelas,
Elas olharão para nós.

Nós, pequenos e juntos,
Como as duas estrelas da cauda de Escorpião.
Você vê o Escorpião?
Eu só vejo estrelas refletidas nos seus olhos.

A noite é estrelada,
A noite é terna,
A noite é eterna.

Gabriel Queiroz

sábado, 25 de maio de 2013

Dormente


Na cama desarrumada, dorme opaca.
Dorme serena, descrente, buarquiana.
Não sorri e não sonha.
Dorme e se esquece das desilusões e desnorteios
Que passaram por sua cabeça e seu coração.
Principalmente pelo coração.

Dorme na cama larga, não de casal.
Dorme, quem sabe, nem feliz,
Nem triste, nem saudosa.
Nunca suportara tal coisa como a saudade.
Não suportava mais
Qualquer lembrança de amor.
Nem em sonho!


Gabriel Queiroz


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Impressões

A impressão de que conheço aquela pessoa.
A impressão de que vou ficar doente.
De que algo não vai dar certo,
De que tudo vai melhorar
Um dia.

A impressão de que já ouvi esta música,
Eu sei que sim.
De que já vi este filme.
De que estou aqui, agora.
A impressão de que estou te vendo.

A impressão deste abraço, deste beijo.
Este amor, nossas mãos, estas rugas...
Tudo impressões.
A impressão daquelas fotografias antigas.

A impressão de que nossas vidas
São bem mais que papéis impressos,
Autenticados em cartório.


Gabriel Queiroz

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Estranho Fenômeno das Flores


Aquele nosso jardim – lembra-se dele?
Está todo cinza.
As flores não estão mortas nem doentes,
Estão bem saudáveis, até.
Mas cinzas.

Acho que algo em você dava-lhes cores.
Não sei, talvez só você mesmo.

Eu gostava muito dele antes, sabe?
Talvez eu construa uma piscina no lugar, agora.

Se pelo menos as cores voltassem...

Gabriel Queiroz

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Passageira


Só de me lembrar dos teus olhos azuis,
De como eles pareciam observar
Cada pedaço da minha memória,
As pupilas dos meus se dilatam,
Como se permitissem (quisessem)
Que você visse mais
De mim.

Você foi um calafrio sem explicação
Que eriça os pelos
E vai embora,
Deixando a sensação sumir aos poucos,
E vem sempre que teus olhos enigmáticos
Aparecem nos meus devaneios.
Mas você não.

Embora eu queira lhe ver de novo,
Acho que isso é exatamente o que você quer ser:
Sem sentido nem explicações,
Intensa, misteriosa e passageira,
Um arrepio.


Gabriel Queiroz