domingo, 5 de maio de 2013

Soneto da Inquietude


Ah, companheiro, que acordado sonha
Na noite escura, de onde a rede range,
Nunca haverá de curar esta insônia
Que a todos os apaixonados tange.

Que o amor, em seu lugar, se ponha,
Tenha fineza e alguma decência.
E que o sono venha sem vergonha
Dar um fim nesta triste clemência.

Calma, pobre rapaz que se inquieta
Na cama, por inteiro se acoberta,
Intrigado com o que os outros pensam.

Esqueça a peleja pra que descubra
Se este amor, que nem a sua boca rubra,
É maravilha ou maldita bênção.

Gabriel Queiroz

Gota D'água


A sua indiferença aparente me perturba
Como uma torneira de madrugada
Que, nem aberta, nem fechada,
Goteja pequenas doses de saudade
Nessa minha pia entupida
Que nunca transborda.


Gabriel Queiroz

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ska


Os abraços eram doces e os beijos, muito mais suaves.
As baterias eram eletrônicas e as vidas, bem mais analógicas.

Se você parasse pra perguntar, eu lhe responderia.
Se eu parasse pra me perguntar, me confirmaria.
Se a gente parasse pra escutar, dançaria.
Nossos sorrisos dançariam juntos, coladinhos.
Seria uma beleza, não?

Não sei por que, mas essa música sempre me lembra de você.
E essas colagens soltas, pulsantes, me lembram da gente.
Do jeito que a gente não fazia sentido e se completava,
Como se completa até hoje.

Que vontade de dançar com você.


Gabriel Queiroz

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Chá das Cinco


A vida a chamou às cinco,
Numa bela tarde chuvosa, e disse:
Vem, que vou te mostrar algumas incertezas.

Ela demorou pra tomar aquele chá novamente.
Mas, dali em diante, era sempre com muito açúcar.


Gabriel Queiroz

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Surreal


Não se mexa, meu bem!
Não se mexa, que as sombras no seu rosto,
Com o Sol batendo desse jeito,
Transformam-lhe num lindo quadro de Dali!

Meu bem, não se mexa!
Não se mexa, que as luzes do seu rosto,
Como um sol, aquecem o meu peito
E me fazem não querer sair daqui.

Gabriel Queiroz

domingo, 14 de abril de 2013

Desejos Mínimos


Eu queria tocar violão pra você
E lhe ouvir cantarolar timidamente.
Olhar pela varanda e lhe ver
Admirar tudo que estivesse à sua frente.

Eu queria tocar violão pra você
E lhe fazer sentir o que ninguém mais sente.


Gabriel Queiroz

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rotinas

Hoje eu estou com saudade.
Saudade de coisas mínimas,
Das rotinas que rondavam meus dias.

Penso se o nome escrito no banco de pedra
Em que eu passava o polegar, incessantemente,
Tem saudade de mim.
Se as pessoas fazendo caminhada na praça
Também sentem saudade dos meus olhares
Desatentos.

Talvez a coruja que me acompanhava com a cabeça,
Parada em cima do fio, tenha saudade de mim.
Talvez seus dedos, que deslizavam nos meus cabelos,
Fiquem pensativos lembrando-se de mim também.

Ou talvez tudo só continue existindo,
Com novas rotinas arranjadas.


Gabriel Queiroz