domingo, 30 de setembro de 2012

Setembro


Quero ter teu colo
De novo
Quero ter teu abraço
Sem medo
Quero ter teu beijo
Tão meigo
Quero ter tua paz
Sossego

Quero ter assim
Sem mais nem menos
Sem motivo visível
Sem razão aparente

Quero ter-te, por fim
Aqui bem perto
E tudo tão certo
Por estares presente.

Gabriel Queiroz

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Diálogo I


É, naquela altura
O tempo já forrara meu coração
Com folhas de jornal baratas

Mas naquela altura
Nosso encontro foi uma tempestade
Jornal se rasga facilmente com água

Eu caí daquela altura
Quis te responder tudo isso
Mas o que soube dizer
Um mero 'estou bem, e você?'


Gabriel Queiroz

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Comédia


Lembra-se de quando seus cabelos deslizavam
Pelos meus dedos magros e tortuosos?
Lembra-se de como era engraçado?
De como tudo
Era engraçado?

Seus cachos leves e brilhantes
Passeavam por minhas inseguras mãos
E refletiam nossos dias
Ligeiros, completos, engraçados.

Lembra-se de como sentia cócegas
Quando eu acariciava sua nuca?
Você nem se mexe mais
E nem elogia o perfume dos lírios
Que lhe trago agora
Tão queridos até ontem.

Era tudo engraçado, lembra?
Talvez você ainda ache isso
E esteja rindo
De onde ninguém pode ver.
Pois sua boca esboça
Um sorriso, de alguma forma.

Ou talvez eu esteja imaginando tal sorriso
Sem forma nenhuma,
Enquanto meus dedos procuram consolo
Em seus cabelos
Inertes.


Gabriel Queiroz

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Soneto de Libertação


E foi-se o riso e foi-se o canto,
Foi-se também a vaidade.
Foi-se a foto que olhou-se tanto,
Foi-se a delirante verdade.

E foi-se a brisa e foi-se o vento,
A mais triste serenidade.
E foi-se o tão velho tormento,
Dormência da sinceridade.

E foi-se quando e foi-se lento,
Suave, dormiu ao relento,
Sem acordar uma cidade.

E, para o meu maior espanto,
Foi-se até o eterno pranto
Quando apagaste esta saudade.


Gabriel Queiroz

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Desconsolo na Pátria




Vamos, não cales...
A eleição está perdida.
A população está perdida.
Mas o voto não se perdeu.

A primeira gestão passou.
A segunda gestão passou.
A terceira gestão passou.
Mas as promessas continuam.

Perdeste o melhor emprego.
Não tentaste qualquer revolta.
Não possuis saúde, educação, segurança.
Mas tens um estádio.

Algumas pessoas públicas
em vida mansa, te golpearam.
Nunca, nunca são punidas.
Mas, e o pudor?

A (in)justiça não se resolve.
À sombra do plenário
murmuraste um protesto tímido
Mas virão outros?

Tudo somado, devias
precipitar-te – de vez – nas ruas.
Estás nu na urna, no pleito...
Grita, meu filho.

Gabriel Queiroz

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Põe poesia


Poemas sugeridos
Poemas, sujeiras e idos
E vindos e lidos
E lembrados e queridos
Pelo esquecer
Pelo transportar

(Pelo amar).


Gabriel Queiroz

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Festa!


Em meio a todos os salgados,
Aos enfeites e à música
Ela estava apenas presente.

A diabetes, a gastrite
E todas as condições médicas
Impediam-na de saciar
O desejo de dançar, de rir,
De doçura, de antigamente.
E só alimentavam a vontade
E os parasitas ali.

Parabéns por quê?
Porque tem um ano a mais?
Porque tem um ano a menos?
Um ano a menos...
Terá de aturar por menos tempo
Aquela situação...

Aumentem a música!


Gabriel Queiroz