quarta-feira, 18 de abril de 2012

Data


Segui o som do saxofone
Ao lado de um banco do parque
Ele fraseava, pensativo
E me fez parar

Coloquei uma nota no chapéu
Tocava melancólico
Era nosso aniversário
Segui meu caminho.


                          Gabriel Queiroz


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Rabo-de-cavalo


O jeito como você estica sua coluna
Para amarrar seu cabelo
E olha por cima dos óculos
Com seriedade e um sorriso
Sarcástico

Não me deixa dormir
Nem prestar atenção na aula de física. :)


Gabriel Queiroz

sábado, 7 de abril de 2012

Hipóteses


Perda de tempo, eles dizem
Pensamentos num futuro incerto
Ou num passado não tão recente
Mas que parece agora

Perda de tempo, eles dizem
Estar com você, sozinho
Estar sozinho, com você na minha mente
Sentir apenas os calafrios dos teus abraços
A impressão do teu cheiro e do sussurro
Da tua voz
Apenas as talvez sensações

Perda de tempo
Divagar com a tua risada inexistente
Rir da tua piada sem nexo e sem forma
Tentar segurar sua mão
Eles dizem...

Perda de tempo, talvez
Perda de rumo
Mas não perda de senso
Não de tudo
Pensar num hipotético você.


Gabriel Queiroz


terça-feira, 27 de março de 2012

E Se?


Nem mesmo lembro da sua voz
O tempo veio no tempo errado
A súbita proximidade e a distância
São a causa de todas as hipóteses
Das noites sem sono

Seus pensamentos não saem dos meus
E suas ideias inundam minhas ideias
Intrigado pelos seus óculos
Apaixonado pelas preocupações
Aprisionado pelas possibilidades perdidas
E eu nem mesmo lembro da sua voz...


Gabriel Queiroz

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pra Sempre


Ah, o amor eterno...
Todos os pulsos do coração
Os contatos das mãos
As caminhadas nos sábados

Ah, o amor verdadeiro
O envelhecer juntos
O pra todo sempre
Todas aquelas cartas

Ah, o amor juvenil!
Tão verdadeiro
Quanto a eternidade
Tão eterno
Quanto a puberdade.



Gabriel Queiroz

terça-feira, 20 de março de 2012

Brecha


Especialmente notável
Estava o céu daquela rua.

Surpreendentemente, uma estrela brilhava.
As outras se afogavam no alaranjado
Da iluminação pública.

Já ouvira falar delas.
No meu tempo,
Inspiravam algumas pessoas
Chamadas “românticas”,
Dizia-me meu avô.

De alguma forma, aquele brilho,
Particularmente apagado,
Lembrou-me algo
Que se sobressai, talvez.
Talvez tolice.

Quem sabe um tal de amor
Que ele citou também,
Ou algo assim...


Gabriel Queiroz

quinta-feira, 15 de março de 2012

Tempestade


A chuva me faz pensar
A garoa limpa minhas ideias
E isso não é bom

Inspiro ar úmido
E expiro introspecção
Não que eu queira ficar assim
Pensativo ou calado
Eu apenas fico

Isso não é ruim
A garoa, na verdade, embaralha
Ideias se contradizem, flutuam

Chuva, tempestade cerebral
A mente passeia por tudo

As poças na calçada encharcam
Meus sapatos de camurça gastos.


Gabriel Queiroz