sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Açudar-te

A arte não é só diálogo
A arte é a própria gente

                                                A gente tem anseios
                                                Que enchem um açude

O açude sangra e se faz rio
A gente sangra e se faz arte.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Ode à Preguiça

No sétimo dia,
Deus deitou em sua Rede e pensou
Depois eu termino...

Quando deu fé, a humanidade
Havia copiado o Domingo
E dedicado a seu Inventor.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Um atentado ao capricho



Um brinde ao rascunho!
Berço injustiçado das obras que
Roubarão sua merecida fama.
Os rascunhos é que nos fazem jus,
Cheios de falhas e ideias inacabadas.

Quem inventou a perfeição foi a humanidade.
A natureza não tá nem aí pra isso
E a prova somos nós.
Somos um atentado ao capricho
Desvirgulados e sem pontos finais

domingo, 2 de novembro de 2014

À Janela

Lá fora, as folhas gargalham com o vento,
Verdes. E aí já não sei
Se lembro do seu riso
Ou dos seus olhos.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Vestida

Teu vestido vem,
A passos esvoaçantes,
Carregando teu espírito colorido
E tuas ideias floridas.

Vestes, bem sei, uma síntese de ti.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

De Tardezinha

a Luisa Boccardo Burini                    

O cansaço dos olhos observa o movimento
Da estrada de terra lá fora.
Quantas solas já não pisaram por ali...

A força dos braços, já não tão segura de si,
- Já não tão cheia de energia -
Se apoia na janela que um dia ajudou a construir.

A maturidade das rugas ainda atura o Sol,
Que queima e castiga e maltrata
Como antigamente.

A simples resiliência do sorriso se alegra
Com o cinza multiplicado no céu,
Com a comida,
Com a panela amassada,
Com a lenha,
Com a casa,
Com os filhos crescidos,
Com as rugas que, sem ver,
Encostam na força de seu braço
E simplesmente sorri.






































Poesia inspirada no desenho em nanquim de Luisa Boccardo Burini

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Notas em SP

Me sinto vendo televisão o dia todo.
Todos os dias.
Não tenho o controle. Nunca tive.

Sento atrás de meus olhos
E me afogo em informações
Fatalmente empurradas goela abaixo.
Informações que serão úteis, dizem.

Algumas sim, claro.
Dessas, absorvo quase nada.
Não me convencem de outras.
Assisto mesmo assim.

Às vezes, durmo.
Meu cérebro trabalha mais quando durmo.

Acordo com o barulho da pessoa que fala.
Temo que me repreenda.
Mas que bobagem.
Ela não sabe quem eu sou.