domingo, 4 de maio de 2014

Ode à Madrugada

Apreciemos o silêncio ensurdecedor dos vizinhos!
Da janela, posso contar nos dedos
Os apartamentos que ainda têm as luzes acesas.

A madrugada é uma dádiva!
A poesia dança de madrugada;
A música se equilibra nas cordas bambas do violão.
Não, nenhuma reclamação do morador do lado até agora.

Apreciemos as ideias e os amores que surgem de madrugada.
Felizes os que os aproveitam.
Ideias regadas a filmes europeus que ninguém conhece
Ou a café mesmo.
Amores frenéticos em baladas;
Amores embalados por love songs e pizzas da geladeira.

A madrugada é uma fábrica de sonhos.
Para os que dormem e para os que não acordam.

Balanço de Domingo

Neste domingo, não quero nada de mais.
Quero o clichê mesmo.

Conversas ao pé do ouvido num canapé,
Suco de tangerina embaixo de uma mangueira
E coisas assim.

Ah, e meu violão com saudade da tua voz, claro.

Que há de mais clichê que o amor?


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Seu nome é um nó amarrado à minha garganta
E fica mais cego a cada vez que é mencionado.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Estrelas Decadentes

Ah, meu bem, não superestime um desejo.
Desejo é coisa séria.

Hoje, deito só na mesma relva
Em que costumávamos olhar pro céu
E apreciar estrelas se jogando.

E, sabe...
Só queria remendar alguma estrela que caiu
Em prol de um desejo vão.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Seu Minino e as Duas Casas


Tenho os pés enraizados no mangue
E uma saudade pontuda sobrevivendo
Entre os mandacarus e árvores secas
Da caatinga.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Homem Que Não Imaginava

E era simples assim.
Não que não conseguisse,
Com muito esforço,
Formar uma imagem na sua cabeça;
Simplesmente não era natural.

Nunca entendera os prejuízos
De assistir ao filme antes de ler o livro.
Não fazia diferença.

Nunca imaginara as palmeiras de Gonçalves Dias
Nem o anjo torto mandando Carlos ser gauche na vida.
Não presenciara o apedrejamento de Geni
Nem a ressaca dos olhos de Capitu.

Eram apenas palavras.
Cantadas, escritas, faladas.
Palavras, nada mais.

Exceto o nome dela.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dia de São José

Tempo estranho.
Previsão de chuvas,
Mas não se via isso aqui tão seco
Desde a estiagem de 11.

Engulo a seco;
Meus olhos secos
Não choram.

No rádio, apenas canções sobre mágoas
E televisões sem som.
Letras secas, rimas secas, versos secos.

Seca é minha poesia, minha caneta não.
Ainda não.