sexta-feira, 11 de abril de 2014

Seu Minino e as Duas Casas


Tenho os pés enraizados no mangue
E uma saudade pontuda sobrevivendo
Entre os mandacarus e árvores secas
Da caatinga.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Homem Que Não Imaginava

E era simples assim.
Não que não conseguisse,
Com muito esforço,
Formar uma imagem na sua cabeça;
Simplesmente não era natural.

Nunca entendera os prejuízos
De assistir ao filme antes de ler o livro.
Não fazia diferença.

Nunca imaginara as palmeiras de Gonçalves Dias
Nem o anjo torto mandando Carlos ser gauche na vida.
Não presenciara o apedrejamento de Geni
Nem a ressaca dos olhos de Capitu.

Eram apenas palavras.
Cantadas, escritas, faladas.
Palavras, nada mais.

Exceto o nome dela.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dia de São José

Tempo estranho.
Previsão de chuvas,
Mas não se via isso aqui tão seco
Desde a estiagem de 11.

Engulo a seco;
Meus olhos secos
Não choram.

No rádio, apenas canções sobre mágoas
E televisões sem som.
Letras secas, rimas secas, versos secos.

Seca é minha poesia, minha caneta não.
Ainda não.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Meias Sujas

As meias sujas jogadas na entrada do quarto
Ilustram bem seu estado de espírito.
Ou, pelo menos, como ela gostaria que estivesse.

Se pudesse, deixaria seu amor ali também,
E não teria que lidar com aquele cheiro de angústia
Que se impregnara ao travesseiro
Até mais que ela própria.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sobre Partidas e Canções de Saudade

Diz-se que quem vai embora parte.
E partir é o mais difícil de se ir embora.
É partir o próprio coração,
Deixar um pedaço e levar outro,
Um pouco mais sem graça,
Um pouco mais sem vida,
Ainda assim, coração o suficiente para doer.

Ao se partir, não há refúgio.
Não há quem culpe, não há quem volte.
Não há para quem implorar,
Em telefonemas desesperados
Durante madrugadas vazias.
Há apenas o espelho e o rádio.

Mas não há canções para serem ouvidas.
Não há canções porque não há o que dizer.
Quem partiu foi você
E o cantador lhe espera.
Quem se partiu foi você
E, no canto, a dor lhe espera.
Na dúvida, culpa-se o tu-lírico!
Já que o eu-lírico jamais faria nada disso
E não tem vocação para vilão de si próprio.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Volta Repentina


Saudade maior do mundo, eu deixo
Saudade maior ainda, eu levo
Rasgando a noite num tubo de aço
A mais de num sei nem quantos metros
De destino, terra tão distante
Um menino, antes grilo falante,
Se reserva no silêncio de um velho

Mas, Ceará, se avexe não, que eu volto
E terá de haver muito mais tempo
Nos teus braços, no teu calor, na tua noite,
No sopro materno do teu vento
Eu hei de voltar para o teu lado
Dançar teu maracatu arrastado
Pro tempo ter que passar mais lento.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Contato Visual

Eu juro que é sem querer
Quando devoro teu olhar
Com meus olhos famintos
De deslumbre sincero.

É que, essa situação
De perplexidade a cada vista,
Eles não viam há muito tempo.