segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sanfona Saudosa

Ah, se o tempo passasse...
Se aqui eu dormisse e no Cariri acordasse.
Se a chuva caísse quando março chegasse,
Se o santo me ouvisse quando daqui eu rezasse,
Se a menina me visse quando eu acenasse.

Ah, se o tempo passasse...
Se aqui eu dormisse e no Cariri acordasse.
Se daqui eu partisse quando a Lua minguasse,
Se a fulô me sorrisse quando na rede eu deitasse,
Se o riso saísse quando de lá eu lembrasse.

Ah, se aqui eu dormisse e no Cariri acordasse!



Gabriel Queiroz

domingo, 8 de setembro de 2013

Olha pro Céu

Uma cachoeira, um chiado,
Barulho de rio, sussurro da sua voz.
Cheiro de planta, cheiro de paz,
Cheiro do seu cabelo.
Seu sorriso, seus olhos brilhando,
Uma estrela caindo do céu
E eu caindo de amores por você.

A Lua sorrindo com um sinal na bochecha.
A melhor vista, o melhor beijo,
Os olhos mais brilhantes,
O céu mais estrelado que eu já vi.



Gabriel Queiroz

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Blues

Se nessa cidade tivesse a tua voz,
Tudo não seria assim tão cinza.
Se esse cinza tivesse o teu tom,
Eu tocaria aquele blues a noite inteira.
Se a noite tivesse a tua luz,
Eu dormiria de dia, meu bem.

Eu dormiria de dia e viveria na tua noite,
No teu cinza, no teu tom,
No teu blues.


Gabriel Queiroz

Mas Onde?

Nessa noite e nesse frio,
A falta do teu sorriso
É maior que a das estrelas
E que a da minha concentração:
Ando meio distraído.

Pensando assim, deveria sair daqui agora
E te mostrar a música que fiz.
Mas onde deixei minhas chaves?



Gabriel Queiroz

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ego

Perdemos o senso.
A verdade não passa de vaidade.
Perdemos o nexo.
Enquanto se estufa o peito
E se bate no peito
E se pede respeito,
Sufocam-se os que alegamos amar.
Que loucura.

O egoísmo é uma televisão em cores
Que ninguém quer assistir.
À noite, tudo é estática e os autofalantes repetem:

“Que se encham de orgulho e de ar,
Os nossos pulmões.
Que se calem de vexame e pesar,
Os vossos caixões.


Gabriel Queiroz

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Receita de Matar Saudade

Quando o castanho escuro dos teus olhos
Visitar o verde mar de Iracema
E o salgado do teu choro for embora,
Lembra da ponte que ainda se sustenta
E deixa a maresia lavar a saudade.

Se, a esta altura, teu peito ainda apertar,
Canta aquele nosso maracatu arrastado,
Fecha os olhos e sente a luz desta terra.
Deixa a praia falar amor e sente o pavão
Voar, mysteriozo, sobre as nossas cabeças.



Gabriel Queiroz

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Terno

Entre uma linha e outra do relatório,
Seu sorriso me sorri.
Entre um parágrafo e outro,
Seu olhar me olha quebrando esse gelo.

O gelo do escritório,
O gelo lá de fora,
O gelo aqui de dentro.


Gabriel Queiroz