sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Põe poesia


Poemas sugeridos
Poemas, sujeiras e idos
E vindos e lidos
E lembrados e queridos
Pelo esquecer
Pelo transportar

(Pelo amar).


Gabriel Queiroz

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Festa!


Em meio a todos os salgados,
Aos enfeites e à música
Ela estava apenas presente.

A diabetes, a gastrite
E todas as condições médicas
Impediam-na de saciar
O desejo de dançar, de rir,
De doçura, de antigamente.
E só alimentavam a vontade
E os parasitas ali.

Parabéns por quê?
Porque tem um ano a mais?
Porque tem um ano a menos?
Um ano a menos...
Terá de aturar por menos tempo
Aquela situação...

Aumentem a música!


Gabriel Queiroz

domingo, 9 de setembro de 2012

Perseguição


Há um pouco de versejar em cada linha de cálculo
Há um pouco de viajar em cada piscar de olhos
Há um pouco de rima em cada verso lido.

Há um pouco de ti em cada esquina da cidade
Em cada sinal, em cada afeto,
Em cada clichê.

Gabriel Queiroz

sábado, 8 de setembro de 2012

Soneto da mínima atenção


Sem minha menor vontade
E sem nenhum consentimento,
Trouxeste contigo o meu alento
Por que fizeste tanta bondade?

No peito deste poeta pálido,
Puseste de volta algum encanto,
Proteges do frio com este manto
E teu toque e teu beijo e teu hálito.

Mas traze-me a coragem para falar-te
Que não posso ficar com teu andar apenas,
Aqui desta mesa mal iluminada.

Se, por ti, não me deste quase nada,
Por mim, deste-me tuas olhadelas, serenas
Para, a todo e qualquer tempo, imaginar-te.


Gabriel Queiroz

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Correria


E quando ela não puder mais
Enxergar figuras nas nuvens?

Quando ela não conseguir
Parar vinte segundos do seu dia
Para contemplar uma flor
E desabrochar um sorriso.
Quando seu peito adquirir
Os tons de cinza do ar urbano.

Alguns chamam de amadurecimento,
Idade adulta.
Alguns têm até orgulho.
Eu tenho pena.


Gabriel Queiroz

terça-feira, 4 de setembro de 2012

As Estrelas São Belas


As pessoas me perguntam se estou triste.
E parecem se preocupar quanto a isso.
Vivem se perguntando se elas mesmas
Estão tristes.
Mas que obsessão pela alegria, meu Deus!

Engraçado...
Eu durmo todas as noites
Sem saber se, no dia seguinte,
Haverá aurora.

E ah!, se a aurora não viesse!
As estrelas estariam lá o tempo inteiro.
Pois estas são pontos de alegria que não tocamos
E apenas podemos ver durante a noite.

Sim, à noite, podemos ver todas as nossas estrelas.
E o dia é apenas uma estrela maior que ofusca
E esconde as outras.

Até porque a noite tem uma beleza particular
E um charme e uma tristeza
E um soar de gaita introspectivo
Que o dia inveja
E jamais terá.

E além do mais,
Durma-se com esse Sol no rosto!


Gabriel Queiroz

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Consolação


Vamos, não seja tolo...
É claro que ela ainda quer segurar sua mão.
Ela não te esqueceu. Apenas...
Apenas precisa de um tempo pra ela.

Sim, eu sei que você a ama
E cada detalhe daquela mulher.
É, já falou do bolo de cenoura.
Já falou do cheiro do cabelo dela também.
Claro, como pude me esquecer
De como o pôr-do-sol invade seu rosto
Quando fica com vergonha?

Não adianta chorar, meu amigo.
Ela briga quando você não liga
E não te liga?
O frio é apenas uma delicada forma de calor,
Dizia Lobão.

Não, não fale bobagem.
Ela, ela só...
Ela apenas não te...
Bom, ela deixou de...
Garçom, traz mais uma, por favor.


Gabriel Queiroz