quarta-feira, 14 de março de 2012

Deslocamentos


Nós andamos
Andamos, só andamos
Não olhamos, não cheiramos, não sentimos
Apenas vamos de um canto a outro
Para irmos a outro depois

Viemos para a vida
Apenas para irmos para a morte?
Viemos.
Para a vida.
Que tal sentarmos um pouco?


Gabriel Queiroz

sexta-feira, 9 de março de 2012

Lampejo


Ela entrou
Seu cheiro fechou a porta
Seus saltos foram toqueando até o balcão
Um Martini, a quatro bancos de distância
Cabeça apoiada na mão, suspiros e choros

Aquela tristeza contagiou de imediato
O bar adquiriu um tom de sépia
A fumaça de cigarro refletia bem
A opacidade de seus sentimentos fuliginosos

Algum parente morrera,
Alguma desilusão amorosa...
Não sei
E também não importa

O que importa é que um sorriso foi esboçado
Ela tentou conter, inútil
As lágrimas pareciam alimentá-lo
E a risada as alimentava, também

O que importa
É que não importa do que ela se lembrou
A tristeza foi embora
Ela foi embora
O sorriso ficou.


Gabriel Queiroz

segunda-feira, 5 de março de 2012

Reavivados


A primavera nos priva de tristezas,
Por hora

Há flores que não desabrocham
Rancores, dores, há muito guardados
Essas esperam até o mais frio inverno
Sobrevivem da nossa necessidade de calor

Não se precipitem
Outras primaveras verão
Outras primaveras, verão.


Gabriel Queiroz

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Leve

Meu bem, me leve
Me lave, me love
Me lave, de leve, na mente
Levemente, love
Meu bem,
Levianamente, me leve
Pra que eu também
Leve-a na mente.

Gabriel Queiroz

domingo, 29 de janeiro de 2012

Black Tie

O vermelho rosa do teu vestido exala o perfume
A música no ritmo do meu pensamento em ti
Dos nossos pra-lá-e-pra-cás, do tilintar de tudo

O piano e teu coração são os únicos sons
Teu cabelo se curva em direção ao meu rosto
Leem minha mente

O planeta balança suavemente conosco
Minhas mãos descansam na tua cintura
Meu ombro apoia tua bochecha
Teu rosto me dá o equilíbrio

A festa era o mundo
Aquela dança era a festa
Nós dois éramos aquela dança
Você e eu, nós dois
O mundo, você.

Gabriel Queiroz

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sinopse


Como fazer pra abrir esse teu livro?
Nem uma página consigo folhear
Esse teu rosto enigmático
Tuas frases criptografadas
Pura incerteza injetada no sangue

Opiniões de um crítico não equivalem à leitura
O deleite com a essência, único!
Ler as orelhas, superficial...
Mergulhar em teus olhos profundos
Por que só consigo ler a tua sinopse?

Sei tuas bandas, mas não tuas músicas
Teus filmes, mas não tuas cenas
Teus capítulos, mas não tuas páginas
Sei teus gostos, mas teus temperos não
Talvez...


Gabriel Queiroz

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Isso Não Se Apaga Assim


Sim, você se lembra daquelas areias
Lembra tão bem quanto eu
Lençóis que não podem nos aquecer agora
Mas que servem muito bem pra construir a cabana
Em que nos escondíamos e brincávamos como crianças

Sei que você se lembra da borboleta
Aquela da cor do seu cabelo
Ela dançava ao nosso redor
Pedindo pra ficarmos juntos
Nem imaginávamos o porquê

Sei que você se lembra
Sei também que não vamos ver aquele filme de novo
Mas, mesmo tendo certeza do fim,
Eu quero rir dessa comédia
Sentir o aperto do clímax,
Talvez até a agonia da reviravolta
Só pra lembrar mais da gente
Lágrimas não anulam sorrisos.


Gabriel Queiroz