quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sinopse


Como fazer pra abrir esse teu livro?
Nem uma página consigo folhear
Esse teu rosto enigmático
Tuas frases criptografadas
Pura incerteza injetada no sangue

Opiniões de um crítico não equivalem à leitura
O deleite com a essência, único!
Ler as orelhas, superficial...
Mergulhar em teus olhos profundos
Por que só consigo ler a tua sinopse?

Sei tuas bandas, mas não tuas músicas
Teus filmes, mas não tuas cenas
Teus capítulos, mas não tuas páginas
Sei teus gostos, mas teus temperos não
Talvez...


Gabriel Queiroz

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Isso Não Se Apaga Assim


Sim, você se lembra daquelas areias
Lembra tão bem quanto eu
Lençóis que não podem nos aquecer agora
Mas que servem muito bem pra construir a cabana
Em que nos escondíamos e brincávamos como crianças

Sei que você se lembra da borboleta
Aquela da cor do seu cabelo
Ela dançava ao nosso redor
Pedindo pra ficarmos juntos
Nem imaginávamos o porquê

Sei que você se lembra
Sei também que não vamos ver aquele filme de novo
Mas, mesmo tendo certeza do fim,
Eu quero rir dessa comédia
Sentir o aperto do clímax,
Talvez até a agonia da reviravolta
Só pra lembrar mais da gente
Lágrimas não anulam sorrisos.


Gabriel Queiroz

domingo, 11 de dezembro de 2011

Soneto do Apelo


Olhos, por que se fecham?
Por que escondem de mim seu verde vivo?
Não me evitem, olhos...
Deixem eu me perder aí, sem motivo

Olhos, não me evitem...
Não me neguem seu calor, meu abrigo
Por que se fecham, olhos?
Venham me abraçar, dançar comigo

Olhos, os meus já não enxergam
Por que sua luz não me entregam?
Não veem que assim não perduro?

Olhos! Não me deixem aqui jogado!
Venham piscar ao meu lado
Pois, só assim, vejo um futuro.

Gabriel Queiroz

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Reincidência


Solitário pela rua
O homem fazia seu caminho
Sozinho, porém, não andava
Acompanhavam por entre
As persianas de madeira envelhecida
De cada refúgio

Dizem que volta de longe
Dizem que volta mais velho
Dizem que volta mais forte
Mais encorpado
E mais sabido

Dizem que volta mais sombrio
Com as costas morenas
Como um mosaico marcado em quadros
Pela liberdade, pelas lembranças
De lá fora

Será que o acolherá a vida?
A sociedade, com manta
E leito aquecidos?

As demais cadeiras vazias
De sua mesa do bar
São um mau presságio

O silêncio o tortura mais que as grades
Os olhares mais secos que a ração
Os cumprimentos gelados
Mais que o cimento liso

Não ponderou mais
Agiu
A família haveria de entender
Seu ente não se fora em vão
E o bar arranjaria outro garçom

Aconchego de pedra
Uma hora diária de dia, apenas
Mas meio metro quadrado na parede
Parecia-lhe o suficiente
Conversas jogadas fora
Antes mal acompanhado do que
Só.


Gabriel Queiroz

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Soneto Frio


Perco-me em fundos pensamentos
Vejo você na superfície
Memórias claras, raras sombras
Como se ainda me pedisse

Onde a paixão de mim se esconde
Antes tida nos braços seus?
Ela em flor se faz presente
Ou de lembrar se esqueceu?

A distância? Não me lembre
O vento já sopra contra
Preciso de um favor

Quanto dura o pra sempre?
Você já deve estar pronta
Só não fale mais de amor

Gabriel Queiroz

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Agora?


E eu não sei o que fazer agora
Se você me desse uma dica, uma reação...
Vamos brincar, como nos velhos tempos
Rir da felicidade, nos esconder do mundo

A velha escada no fim do corredor
O corredor, as corridas, o corrimão
Os sorrisos, os abraços, os tropeços, as quedas
Eu não sei como fazer, agora

A saudade no tempo que ainda não passou
Que já lança suas sombras no presente
Aquele mesmo presente que você me deu
E que se recusa a riscar o calendário
Eu não sei se vou fazer, agora

Não quero tomar decisões frias, adultas
Talvez elas se tomem sozinhas, tombem
Enquanto se arrastam, tentando tardar
Tardar aquilo que corre e se aproxima
Até as pilhas querem saltar pra fora do relógio
Eu não sei mais fazer o agora.


Gabriel Queiroz

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sensações Líricas


Por favor, peça pro teu cheiro parar
Parar de me seguir e de te trazer
Tu é que tens que trazê-lo
Borrifado dos lírios da tua pele

A memória da minha memória
O gravou e o usa como perfume
E sai a passear em mim
Atordoando os outros sentidos
Que brigam entre si como crianças

Sim, tua cor ilumina os olhos fechados
Tuas folhas, com o vento, acalmam os ouvidos
Teu gosto, meio amargo na medida certa
Ainda bem que lírios não têm espinhos.


Gabriel Queiroz